‘Nunca gostei de viajar’, confessa Papa Francisco

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Em um livro intitulado “Em Viagem”, a obra do jornalista Andrea Tornielli, do La Stampa, inicia com uma longa entrevista com Bergoglio, e estará nas livrarias italianas a partir desta terça-feira (10). Que pretende levar aos leitores os bastidores das viagens do Papa Francisco pelo mundo.
“Sinceramente, nunca gostei muito de viajar”, confessa Jorge Mario Bergoglio, ao responder com a sinceridade que lhe é peculiar, à pergunta de Tornelli sobre suas viagens apostólicas. “Sempre me cansou estar longe de minha diocese, que para nós, bispos, é a nossa “esposa”, revela.
Após a viagem ao Rio de Janeiro para a JMJ – programada desde antes sua eleição – Bergoglio decidiu responder “simplesmente sim” aos convites que se sucederam. Deixou-se “levar”. “Agora – afirma – sinto que devo fazer as viagens, ir visitar as Igrejas, encorajar as sementes de esperança que existem”.
“As viagens são cansativas, mas digamos que por agora eu consigo”. Talvez – destaca – “me cansem do ponto de vista psicológico, mais do que fisicamente”. Todavia, há uma “riqueza inimaginável” nas viagens, “rostos, testemunhos, imagens, experiências”. Uma riqueza “que sempre me faz dizer: valeu a pena”.
O Papa fala também do entusiasmo das pessoas durante suas viagens. E recordando Paulo VI, comenta que “o Papa deve ter consciência do fato de que ele leva Jesus, testemunha Jesus e a sua proximidade e ternura à todas as criaturas, de modo especial àqueles que sofrem”.
Francisco recorda então alguns momentos indeléveis de suas viagens, do “entusiasmo dos jovens no Rio de Janeiro, que me atiravam de tudo no papamóvel” à acolhida nas Filipinas, em particular em Tacloban, sob uma chuva torrencial.
Tornielli perguntou a Francisco como ele se recorda das tantas pessoas que encontra. “Trago-as em meu coração – responde – rezo por elas, rezo pelas situações dolorosas e difíceis com as quais tive contato. Rezo para que se reduzam as desigualdades que vi”.
O Papa reitera que na Europa preferiu visitar países que “estão ou estiveram em graves dificuldades. Isto não significa não ter atenção pela Europa, que encorajo como posso, a redescobrir e a colocar em prática as suas raízes mais autênticas, os seus valores”.
Francisco responde, por fim, sobre o tema da segurança em suas viagens apostólicas. “Eu – ressalta – agradeço aos gendarmes e aos guardas suíços por terem se adaptado ao meu estilo”, “não consigo me deslocar em carros blindados ou nos papamóveis com vidros à prova de balas, fechados”.
“Um bispo é um pastor, um padre, não podem existir barreiras entre ele e as pessoas”, reitera. “É necessário confiar e entregar-se, estou consciente dos riscos”, mas “não temo pela minha pessoa”.
“Existe sempre o perigo de algum gesto imprevisto de algum louco. Mas o Senhor está sempre presente” finaliza Papa Francisco.

Por: Silvestre Santos com informações da Rádio Vaticano